Mentira

“O principal é não mentir. Quem mente para si mesmo e dá ouvido a sua própria mentira chega a tal extremo que não consegue ver nenhuma verdade em si ou naqueles que o rodeiam e, por conseguinte, perde completamente o respeito por si e pelos outros. Depois, não tendo respeito a ninguém, perde o amor; tendo perdido o amor, procura divertir-se e acaba entregando-se as paixões e à mais baixa sensualidade; finalmente, chega por seus vícios à mais absoluta animalidade. Eis a que nos pode levar a mentira a nós próprios e a nossos semelhantes! Quem mente a si próprio pode ser o primeiro a ofender-se. Às vezes, é tão agradável uma pessoa se ofender, não é verdade? O indivíduo sabe que ninguém o injuriou, que tudo não passa de simples invenção, que ele próprio mentiu e exagerou apenas para criar um quadro, para fazer de um grão uma montanha – sabe tudo e, no entanto, se ofende. Ofende-se a ponto de sentir prazer na ofensa e, desse modo, atinge o verdadeiro ódio… Levante-se; eu lhe peço. Queira sentar-se. Afinal, tudo isso são também gestos falsos…”

(Dostoievski, Os Irmãos Karamazov)

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